Textos analisam o modelo de integração entre educação e indústria desenvolvido em Mato Grosso do Sul; CIGU 2026 é um dos principais eventos latino-americanos em gestão universitária
Duas iniciativas que vêm contribuindo para aproximar educação e setor produtivo em Mato Grosso do Sul ganharam reconhecimento internacional. As experiências do Comitê Empresa-Escola (Cempe) e das microcertificações foram transformadas em artigos científicos aprovados para publicação e apresentação no XXV Congresso Internacional de Gestão Universitária (CIGU 2026).
O evento será realizado nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2026, em Mar del Plata, na Argentina.
Um dos trabalhos aprovados é o artigo “Mobilidade Educacional Baseada em Competências: o Modelo Cempe de Integração entre Educação e Setor Produtivo no Mato Grosso do Sul”, de autoria de Adriana Rochas de Carvalho Fruguli Moreira, Glaucia Aparecida Vital da Cruz Campos, Régis Pereira Borges, Vanessa Braga Rodrigues Marques e José Luiz Alves Neto.
O estudo analisa o modelo desenvolvido pelo Cempe como estratégia de mobilidade educacional baseada em competências, destacando a integração entre indústria, educação básica e ensino superior. Entre os aspectos abordados estão a flexibilização curricular, o uso de microcertificações e a governança colaborativa que sustenta a iniciativa.
De acordo com a pesquisa, o modelo tem contribuído para ampliar o engajamento dos estudantes e favorecer a construção de trajetórias formativas mais aderentes às demandas do mercado de trabalho. O Cempe consolidou-se como uma inovação relevante para a política educacional regional e para o desenvolvimento socioeconômico do Estado.
O segundo artigo aprovado foi “O Marco Regulatório como Alavanca na UEMS: Microcertificações, Academia e Mundo do Trabalho”, assinado por Adriana Rochas de Carvalho Fruguli Moreira, Mercia Ikarugi Bomfim Celoto, Tarsila Marília de Oliveira, Glaucia Aparecida Vital da Cruz Campos, José Luiz Alves Neto e Vanessa Braga Rodrigues Marques.
A pesquisa apresenta as estratégias adotadas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) para incorporar as microcertificações aos cursos de graduação, articulando inovação curricular, segurança jurídica e aproximação com o mundo do trabalho. O estudo destaca o papel do Acordo de Cooperação Técnica nº 1689/2026, firmado entre a UEMS e o Sesi, como elemento estruturante para viabilizar o reconhecimento institucional e o aproveitamento acadêmico das microcertificações.
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Para o vice-presidente executivo do Cempe, Régis Borges, o reconhecimento dos trabalhos em um dos principais fóruns internacionais dedicados à gestão universitária reforça a relevância do modelo construído de forma colaborativa em Mato Grosso do Sul.
“O propósito do Cempe sempre foi muito claro e compreendido rapidamente pelos parceiros. Sua construção contou com a colaboração de muitas mãos. A Fiems é a grande propulsora desse movimento, e o comitê é resultado de um trabalho coletivo. Esse reconhecimento demonstra a maturidade da iniciativa e reforça nossa responsabilidade em continuar avançando. O futuro é muito promissor para a integração entre educação e setor produtivo”, afirmou.
Sobre o Comitê Empresa-Escola
O Cempe atua diretamente na redução da lacuna de competências entre o que a indústria necessita e o que é ensinado nas salas de aula. Por meio de ferramentas como seus grupos de trabalho setoriais, o comitê mapeia as demandas por competências e habilidades para que as instituições de ensino desenvolvam soluções educacionais aderentes ao mercado de trabalho.
Atualmente, o comitê conta com mais de 40 membros e parceiros, entre instituições de ensino e pesquisa, sindicatos, federações e associações industriais, empresas e órgãos públicos das áreas de trabalho e educação em Mato Grosso do Sul.
Sobre o CIGU
O Congresso Internacional de Gestão Universitária (CIGU) é fruto de uma cooperação entre instituições do Brasil e da Argentina iniciada em 2000 e consolidou-se como um dos principais espaços de debate sobre gestão universitária nas Américas.
Ao longo de suas 24 edições, o evento reuniu autoridades acadêmicas, gestores, pesquisadores, professores, estudantes e especialistas de diversos países da América Latina e da Europa para discutir os desafios e as transformações da educação superior.
O congresso tem como foco temas relacionados à inovação, governança e desenvolvimento institucional das universidades, acompanhando as mudanças estruturais que impactam o ensino superior em âmbito global.