Sesi consolida projeto de base no vôlei e coloca maioria da seleção de MS nos Jogos da Juventude


Seis das 10 atletas convocadas para representar o Estado na principal competição escolar do país são do Sesi; trabalho iniciado em 2023 alia formação esportiva e desenvolvimento educacional

Quando a seleção feminina de vôlei de Mato Grosso do Sul entrar em quadra nos Jogos da Juventude, de 23 a 28 de outubro, em Foz do Iguaçu (PR), a maioria das atletas terá uma mesma origem: o Sesi. Das 10 jogadoras convocadas para representar o Estado na competição para jovens entre 15 e 17 anos, seis fazem parte do projeto de voleibol desenvolvido pela instituição desde 2023.

O resultado é reflexo de um trabalho relativamente recente, mas que já acumula conquistas dentro e fora das quadras. Criado há pouco mais de três anos, o projeto nasceu com o objetivo de transformar o voleibol em uma referência esportiva dentro da escola. Hoje, já são cerca de 100 atletas filiadas à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), distribuídas em quatro equipes de base.

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À frente da iniciativa está o técnico Vagno Dias, profissional com quase 35 anos de atuação no voleibol de base. Ele lembra que o projeto começou de forma modesta, com um grupo de 17 atletas, algumas das quais permanecem na equipe até hoje.

“Assumimos o desafio de construir uma referência para o voleibol dentro da escola. No primeiro ano já conseguimos ser vice-campeões estaduais das categorias sub-15 e sub-17. A partir dali houve um interesse maior de atletas de Campo Grande e do interior em integrar as equipes do Sesi”, relata.

Desde então, o crescimento foi acelerado. O número de atletas aumentou, novas equipes foram formadas e o clube passou a disputar competições nacionais por meio dos Campeonatos Brasileiros Interclubes (CBI), organizados pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC). Neste ano, o Sesi participou de três etapas nacionais e conquistou resultados que o treinador considera expressivos para o estágio atual do projeto, incluindo a sétima colocação no sub-19 e o décimo lugar nas categorias sub-17 e sub-16 entre cerca de 20 equipes de todo o país.

Referência para atletas do Estado

O desenvolvimento da modalidade também ampliou a procura de jovens interessadas em integrar o projeto. Segundo Vagno Dias, o Sesi recebe diariamente contatos de atletas e famílias em busca de informações sobre os processos seletivos.

Um dos exemplos é a ponteira Yasmin Benites, convocada para a seleção estadual. Formada no Clube Calvoso, de Ponta Porã, ela decidiu mudar sua trajetória esportiva após acompanhar o crescimento da equipe do Sesi.

“Eu vi que o time estava muito bom e era um grupo muito unido. Conversei com o técnico porque tinha interesse em jogar pelo Sesi e desde então sigo com elas”, conta a atleta.

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A seleção de Mato Grosso do Sul chega aos Jogos da Juventude em um momento especial. Depois de conquistar o título estadual e garantir a vaga nacional, a equipe disputará pela primeira vez a Divisão Especial da competição, que reúne as oito melhores seleções do país. No ano passado, o Estado foi vice-campeão da Primeira Divisão e conquistou o acesso. Para muitas atletas do Sesi, esta será a estreia no torneio nacional.

Formação que vai além da quadra

Embora os resultados esportivos sejam visíveis, o técnico destaca que o principal objetivo do projeto não se limita às medalhas.

“Nem todas vão chegar ao alto rendimento. Nosso foco é formar cidadãs, oferecer oportunidades e ajudar essas meninas a construir um futuro. Muitas conseguem bolsa de estudos, ingressam em uma profissão e levam para a vida os valores aprendidos no esporte”, afirma Vagno Dias.

A ponteira Lethicia Natália Gomes dos Santos, capitã da equipe e bolsista do Sesi desde 2023, considera que a experiência transformou não apenas sua trajetória esportiva, mas também sua formação acadêmica.

Selecionada em uma das primeiras seletivas do projeto, em 2023, ela destaca o acesso à educação, às viagens e às oportunidades oferecidas pela instituição.

“O Sesi trouxe muito aprendizado. Conheci projetos de robótica, participei de experiências que não tinha na minha escola anterior e aprendi a ter mais autonomia. Também recebo apoio para conciliar os estudos e o esporte”, relata.

A atleta já planeja os próximos passos após concluir o ensino médio: ingressar em uma faculdade e continuar usando o esporte como ferramenta de desenvolvimento pessoal e acadêmico.

Vitrine para o futuro

Os Jogos da Juventude são considerados uma das principais portas de entrada para o esporte de alto rendimento no Brasil. Organizada anualmente pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), a competição reúne mais de 4,5 mil atletas de até 17 anos de todos os estados e do Distrito Federal, representando escolas públicas e privadas em 20 modalidades esportivas. Mais de 2 milhões de estudantes participam das etapas classificatórias realizadas nas unidades federativas.






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